Por Rogerio Rebouças

No estande da Elbit Systems na Euronaval 2026, a Conexão Naval conversou com Erica Borrowman, especialista em sonar da GeoSpectrum, empresa canadense 100% do grupo israelense. O produto é o TRAPS, um sonar rebocado antissubmarino que cabe num contêiner e vai de drones de superfície a fragatas. A comparação feita por ela é direta: com o CAPTAS, da francesa Thales.

A GeoSpectrum Technologies fica em Dartmouth, na Nova Escócia, no Canadá, e pertence integralmente à Elbit Systems. Seu produto principal é o TRAPS (Towed Reelable Active Passive Sonar, sonar rebocado ativo e passivo enrolável), um sonar de profundidade variável e baixa frequência feito para detectar, classificar e acompanhar submarinos.

Erica Borrowman, especialista em sonar da GeoSpectrum, empresa do grupo Elbit Systems, na Euronaval 2026
Erica Borrowman, especialista em sonar da GeoSpectrum (grupo Elbit), no estande da Elbit Systems na Euronaval 2026.*

Um guincho só

Perguntada sobre a diferença em relação ao CAPTAS, da Thales, que equipa as fragatas francesas, Erica Borrowman explicou que os dois sistemas usam um corpo rebocado, o “peixe”. “A diferença é que o CAPTAS é muito maior, muito mais pesado e um pouco mais complicado, normalmente com reboque duplo, enquanto o TRAPS foi concebido para reboque em linha. Um guincho só: o nosso transdutor, a fonte que põe o som na água, cabe no mesmo guincho que a nossa antena receptora passiva. Por isso ele é muito menor e muito mais leve”, disse.

O sistema cabe num contêiner de 20 pés e permite mudar a faixa de frequência de transmissão. “Em vez de ter uma só frequência e ficar preso a ela, você tem uma capacidade multimissão, em águas litorâneas ou profundas, e também contra torpedos”, afirmou. Segundo a Elbit, os projetores podem ser trocados pelo próprio operador, numa faixa de 2 a 10 kHz.

Guincho da Curtiss-Wright com o cabo e a antena do sonar TRAPS na popa de uma embarcação
O guincho do TRAPS, fornecido pela Curtiss-Wright: cabo, fonte sonora e antena receptora enrolados no mesmo carretel.**

Do drone de 13 metros à fragata

Como cabe num contêiner, o TRAPS pode ser instalado em navios de oportunidade, embarcações que não foram projetadas para a guerra antissubmarino. Erica Borrowman descreveu três versões: uma menor, para drones de superfície de até 13 metros; a versão em contêiner, para drones de 17 metros e navios-patrulha oceânicos; e as instalações orgânicas, fixas, pensadas para navios maiores, como fragatas.

A versão para drones, a TRAPS-USV, foi integrada em 2020 ao Seagull, o drone de superfície multimissão da própria Elbit. Na época, a empresa informou que o conjunto pesa cerca de 40% do TRAPS padrão.

Drone de superfície Seagull, da Elbit Systems, rebocando o sonar TRAPS-USV
O drone de superfície Seagull, da Elbit, com o TRAPS-USV na popa.**

No Ártico canadense

O sistema já opera na Marinha Real Canadense. “O TRAPS está em operação nas duas classes, nos navios de defesa costeira da classe Kingston e nos navios de patrulha do Ártico da classe Harry DeWolf”, disse a especialista. Em agosto de 2021, durante a operação Nanook, o HMCS Harry DeWolf lançou o TRAPS perto de Grise Fiord, em Nunavut, no que a Marinha canadense descreveu como o lançamento de antena rebocada mais ao norte da sua história.

Tripulantes do HMCS Harry DeWolf lançam o sonar rebocado TRAPS no Ártico canadense, em agosto de 2021
Tripulantes do HMCS Harry DeWolf lançam o TRAPS no Ártico canadense, em agosto de 2021.***

Rumo ao alcance do CAPTAS-4

Sobre o desempenho, a especialista fez a comparação com a família da Thales. “A potência e a frequência, que se traduzem em alcance quando se fala de detecção acústica, são muito parecidas com as do CAPTAS-2”, afirmou. E adiantou o próximo passo: a GeoSpectrum desenvolve uma versão de frequência muito baixa, “que vai aproximar o nosso alcance de detecção do CAPTAS-4”, o modelo de maior alcance da Thales, usado nas fragatas FREMM.

Análise

O argumento da Elbit não é superar o CAPTAS, e sim oferecer algo parecido com o CAPTAS-2 num pacote que cabe num contêiner e num guincho só. É uma proposta para marinhas que precisam de guerra antissubmarino mas não têm fragatas suficientes: pôr o sonar num navio-patrulha, num navio de oportunidade ou num drone. A promessa de chegar perto do CAPTAS-4 ainda é desenvolvimento, sem prazo divulgado. Para marinhas de costa extensa e orçamento curto, como a brasileira, a ideia de um sonar antissubmarino móvel, que troca de navio conforme a missão, merece atenção.

Fontes: entrevista de Erica Borrowman à Conexão Naval no estande da Elbit Systems na Euronaval 2026; comunicados da Elbit Systems de 1º e 14 de abril de 2020; Marinha Real Canadense, 6 de dezembro de 2021.

Imagem de destaque: guincho do TRAPS (Foto: Elbit Systems).
* Foto: Rogerio Rebouças / Conexão Naval (imagem do vídeo da entrevista).
** Fotos: Elbit Systems.
*** Foto: Cabo Simon Arcand / Forças Armadas Canadenses (© 2021 DND-MDN Canada).

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