Por Rogerio Rebouças
Na Euronaval 2026, em Paris, o Almirante de Esquadra Edgar Luiz Siqueira Barbosa, Diretor-Geral do Material da Marinha (DGMM), destacou o acordo com a Índia para a manutenção dos Scorpène. Sobre o submarino nuclear Álvaro Alberto, a resposta foi curta: “confia, confia”.
No estande da Edge Europa, o Almirante de Esquadra Edgar Luiz Siqueira Barbosa (DGMM) ouviu a apresentação do XLUUV (veículo submarino não tripulado extragrande), saiu em direção a um compromisso para o qual já estava atrasado e, nesse momento, parou para atender a Conexão Naval.

Comentou a importância da feira para ver novidades e interagir com marinhas da América Latina e de outros países, e destacou o acordo com a Índia como forma de buscar manutenção, reduzir custos e ampliar opções de peças para os Scorpène.
Sobre o Álvaro Alberto, perguntado a respeito do projeto, respondeu “confia, confia”, com a certeza de que o Brasil terá o seu SNA (submarino nuclear de ataque) convencionalmente armado.
O acordo com a Índia
Em dezembro de 2025, em Brasília, a Marinha da Índia, a Marinha do Brasil e o estaleiro estatal indiano Mazagon Dock Shipbuilders (MDL) assinaram um memorando de entendimento tripartite para cooperação na manutenção dos Scorpène e de outros meios. O texto prevê troca de informações técnicas, filosofias de manutenção, práticas industriais, suporte de peças e treinamento, com validade de dez anos.
A lógica é de escala. A MDL construiu em Mumbai, com transferência de tecnologia da Naval Group, os seis Scorpène indianos da classe Kalvari (Projeto 75); o sexto, INS Vagsheer, entrou em serviço em janeiro de 2025. O Brasil tem três Scorpène da classe Riachuelo em serviço (Riachuelo, Humaitá e Tonelero), e o quarto, Almirante Karam, tem entrega prevista para 2027. São duas marinhas com o mesmo submarino de base e a mesma necessidade de peças e de docagem.

Os três submarinos
Scorpène P-75, classe Kalvari (Índia)
- Tipo: diesel-elétrico
- Comprimento: 67,56 m; boca: 6,2 m
- Deslocamento na superfície: 1.615 t
- Velocidade submerso: ~20 nós
- Tubos de torpedo: 6 × 533 mm
- Tripulação: ~35 a 43
- Situação: 6 em serviço
Classe Riachuelo (Brasil)
- Tipo: diesel-elétrico, variante brasileira do Scorpène
- Comprimento: ~71,6 m; boca: 6,2 m
- Deslocamento na superfície: ~1.870 t
- Velocidade submerso: ~20 nós
- Tubos de torpedo: 6 × 533 mm
- Tripulação: ~32 a 35
- Situação: 3 em serviço (Riachuelo, Humaitá, Tonelero); o Almirante Karam em 2027
Álvaro Alberto (Brasil)
- Tipo: propulsão nuclear, armamento convencional
- Comprimento: ~100 m; boca: 9,8 m
- Deslocamento na superfície: ~6.000 t
- Propulsão: reator PWR (~48 MW)
- Velocidade submerso: ~25 nós
- Tubos de torpedo: 6 × 533 mm
- Tripulação: ~100
- Situação: em construção
Os dados do Álvaro Alberto são estimativas divulgadas; a configuração final não é pública.
Fontes: declarações do Almirante de Esquadra Edgar Luiz Siqueira Barbosa à Conexão Naval na Euronaval 2026; painel e maquete da Mazagon Dock Shipbuilders na feira; Marinha da Índia e MDL, dezembro de 2025; Marinha do Brasil (PROSUB).
Imagem de destaque e * fotos: Rogerio Rebouças / Conexão Naval.
Colaboraram Roque Bagre e Chatel Cherne (Redação IA).





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