Por Rogerio Rebouças

Fincantieri apresenta à Marinha do Brasil a possibilidade de construir localmente um Logistic Support Ship (navio de apoio logístico) LSS 130M, de 14 mil toneladas. Não há contrato ou encomenda; a empresa relata conversas positivas e vê na Vard Promar o possível construtor local.

Em conversa na Euronaval com Eugenio Santagata, diretor da Divisão de Navios Militares (Naval Vessels Division) da Fincantieri, durante a Euronaval 2026.

O Brasil poderá contar com um novo navio de apoio logístico para sua Marinha. A possibilidade foi apresentada pela italiana Fincantieri, que propõe a construção de um Logistic Support Ship (LSS) em território brasileiro, utilizando a estrutura industrial da VARD, sua subsidiária no país.

Em entrevista exclusiva à Conexão Naval, durante a Euronaval 2026, Eugenio Santagata, diretor da Divisão de Navios Militares da Fincantieri, confirmou que a empresa vem apresentando suas soluções de apoio naval à Marinha do Brasil e considera o LSS uma alternativa compatível com as necessidades brasileiras.

“Sim, é de algo assim que o Brasil precisa”, afirmou Santagata ao comentar a possibilidade de fornecimento de um navio dessa categoria.

Uma proposta em discussão, não um contrato

A situação precisa ser apresentada com precisão: não existe contrato assinado, encomenda brasileira ou decisão de aquisição anunciada. O que existe é uma proposta da Fincantieri e conversas comerciais que a empresa considera promissoras. Uma eventual aquisição dependerá da definição dos requisitos operacionais da Marinha, da estratégia de obtenção e das condições de financiamento.

Santagata explicou que a companhia tem apresentado à Marinha brasileira diferentes soluções, tanto navios de combate quanto meios de apoio. Segundo ele, o interesse da Fincantieri não se limita à venda de uma embarcação construída na Itália: a empresa considera a possibilidade de envolver a indústria brasileira.

Construção possível no estaleiro VARD Promar, em Suape

A Fincantieri está presente no Brasil por meio da VARD, sua subsidiária. O estaleiro VARD Promar fica no Complexo Industrial Portuário de Suape, em Pernambuco, na região Nordeste do Brasil. É nessa estrutura que poderia ser realizada a construção local do navio, caso a proposta avance.

“Se tivermos sucesso em promover esse tipo de navio junto à Marinha do Brasil, ficaremos muito felizes em iniciar a construção localmente”, declarou Santagata.

A proposta, portanto, envolve mais do que a aquisição de um navio pronto no exterior. Poderia incluir a participação de fornecedores brasileiros, transferência de tecnologia e desenvolvimento de competências industriais no país. Esses pontos, naturalmente, dependeriam dos termos de uma eventual negociação.

O LSS 130M

Tela do estande da Fincantieri na Euronaval 2026 mostra o navio de apoio logístico LSS 130M
O LSS 130M na tela do estande da Fincantieri, na Euronaval 2026.*

O modelo apresentado pela Fincantieri é o LSS 130M, um navio de apoio logístico com 130 metros de comprimento e deslocamento de 14 mil toneladas a plena carga. Projetado para apoiar forças navais em operações prolongadas, pode transportar e transferir combustíveis, água doce, peças de reposição, alimentos e munições.

A ficha técnica apresentada na Euronaval indica duas estações de transferência para reabastecimento no mar, oficinas de manutenção mecânica e eletrônica, depósitos de munições e mísseis e instalações hospitalares. Essas capacidades permitem apoiar navios de combate sem que precisem retornar frequentemente a um porto.

A configuração técnica divulgada também relaciona sensores, sistemas de vigilância e guerra eletrônica, além de armamento. A ficha distingue equipamentos instalados daqueles para os quais há apenas espaço ou previsão de instalação; por isso, a configuração final dependerá dos requisitos do eventual cliente.

Financiamento pode chegar a 100%

Outro aspecto destacado na entrevista foi a capacidade de estruturar financiamento com apoio do governo italiano e de sua agência de crédito à exportação. Santagata afirmou que esses instrumentos podem permitir financiar até 100% de um projeto. Trata-se de uma capacidade apresentada pela empresa, não de uma condição já aprovada ou formalizada para o Brasil.

A Fincantieri coloca na mesa um conjunto de possibilidades: projeto já desenvolvido, construção local, participação da cadeia de fornecedores brasileira e mecanismos de financiamento. A decisão, porém, cabe às autoridades brasileiras. Por enquanto, o LSS 130M permanece como uma possibilidade em discussão comercial, sem contrato ou encomenda.

Infográfico: LSS 130M

Infográfico editorial de Chatel Cherne (Redação IA), baseado nas informações técnicas apresentadas pela Fincantieri na Euronaval 2026. Ilustração do navio gerada com IA a partir de imagens da Fincantieri.

Colaborou Chatel Cherne (Redação IA)


*Fotos da entrevista e da tela do LSS 130M: Rogerio Rebouças / Conexão Naval.

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